Como ler uma terra indígena no Yvynation, de dentro para fora
Escolha uma terra do catálogo da FUNAI e o Yvynation devolve quarenta anos de MapBiomas, a perda de floresta medida pelo Hansen, uma linha do tempo de desmatamento, regeneração e fogo, e a mesma leitura para os 10 km em volta. Aqui a gente abre uma terra indígena de verdade e segue, na ordem do aplicativo, de onde vem cada número e o que ele não diz.
Carregando o exemplo no Earth Engine (a primeira visita pode levar até um minuto)…
—área da terra indígena (geometria da FUNAI) real
—vegetação nativa dentro, no último ano
—vegetação nativa em volta
—de cobertura arbórea perdida dentro, 2001–2024 (Hansen) real
real calculado agora, a partir de dado de satélite ou da geometria do catálogo.
ausente análise que não respondeu neste cálculo.
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Escolher a terra no catálogo da FUNAI
O Yvynation traz as 657 terras indígenas do catálogo da FUNAI, com povo, fase e datas de demarcação. Dá para buscar pelo nome, filtrar por estado ou clicar numa terra no mapa. O contorno vem do próprio catálogo, sem passar pelo Earth Engine.
No aplicativo: na portada, o cartão Análise de Terras Indígenas; na barra lateral, Área de estudo, com a busca e a lista. Link direto: /?modo=terra-indigena&busca=….
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Dez quilômetros em volta, para comparar
Um número dentro da área só ganha sentido ao lado do que acontece fora dela. Assim que a área é escolhida, o Yvynation cria sozinho um anel de 10 km para fora da divisa e roda nele as mesmas análises.
No aplicativo: painel Buffer Zone na barra lateral: o anel de 10 km nasce junto com a área, e outro raio pode ser pedido em Create.
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Dentro e fora, no último ano
O MapBiomas Coleção 11 classifica todo ano cada pixel de 30 m do Brasil. A área de cada classe sai do tamanho real de cada pixel, não de 900 m² fixos. As barras comparam a fatia de cada classe dentro e em volta.
No aplicativo: botão Executar todas as análises no topo e aba MapBiomas em Resultados.
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Quarenta anos em três fotografias
A mesma conta em 1985, 2005 e 2025: quanto de cada zona é vegetação nativa (floresta, savana e campos). No mapa, o primeiro ano da série, para comparar com o passo anterior.
No aplicativo: aba Comparar (dois anos lado a lado) e aba Multi-window (vários anos de uma vez).
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O que virou o quê
O diagrama liga cada classe de 1985 à classe que o mesmo pixel tinha em 2025. A faixa que liga uma classe a ela mesma é o que ficou igual; as que cruzam são a mudança.
No aplicativo: aba Comparar, com a matriz de transições, e aba Treemaps, uma por classe.
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Uma segunda opinião sobre a floresta
O Hansen/UMD mede outra coisa: cobertura de árvores, não classes de uso. Parte da copa de 2000, marca o ano em que cada pixel perdeu as árvores e soma um ganho sem data. Quando MapBiomas e Hansen contam a mesma história, ela fica mais firme.
No aplicativo: aba Hansen GFC, e aba Hansen/GLAD para a cobertura de um ano.
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Ano a ano: desmatamento, regeneração e fogo
A linha do tempo junta quatro séries anuais: o desmatamento de vegetação primária e a regeneração (MapBiomas Desmatamento e Vegetação Secundária), a perda de copa (Hansen) e as cicatrizes de fogo (MapBiomas Fogo).
A linha verde marca a homologação. A série não diz o que a homologação provocou, mas põe o antes e o depois na mesma escala.
No aplicativo: aba Timeline, que pode sobrepor o contexto político (governos federal e estadual) e o ENSO.
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A mesma linha, dentro e fora
Para comparar zonas de tamanhos diferentes, o desmatamento vira hectares por 1.000 hectares de cada zona. Se a linha de fora sobe e a de dentro não, a divisa está segurando; se as duas sobem juntas, a pressão já atravessou.
No aplicativo: aba Timeline, com a zona de amortecimento ligada.
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Relatório, tabelas e mapas para levar
Tudo o que aparece nas abas sai do aplicativo: relatório em PDF, tabelas em CSV, mapas e gráficos em PNG, num ZIP só. Os dados gerados no Yvynation são abertos (CC BY 4.0), com a fonte de cada camada.
No aplicativo: painel Export & Download abaixo dos resultados, e Como Citar no topo.
yvynation.umaterra.com.br
Carregando…real
Calculando o exemplo no Earth Engine (a primeira visita pode levar até um minuto)…
O aplicativo com a TI Karipuna escolhida e a zona de 10 km criada automaticamente. print
O que o Yvynation não diz
Não diz quem desmatou nem por quê. A série mostra onde e quando a cobertura mudou. Invasão, garimpo, arrendamento ou fogo de manejo só se distinguem com informação de campo.
Não fala pelo povo. Cobertura do solo não é território vivido. Roças, caminhos e o fogo de manejo tradicional aparecem como uso, e quem sabe ler esses números é quem vive ali.
A zona de 10 km não é zona de amortecimento legal. É um anel de comparação, igual para toda terra, para ver se a pressão de fora chega até a divisa.
A divisa é a do catálogo. O contorno é o que a FUNAI publica. Terras em estudo ou com limites contestados podem ter outro desenho em campo.
Não enxerga abaixo de 30 m. Clareiras pequenas e degradação sob a copa escapam do MapBiomas e do Hansen.
A FUNAI identifica e demarca as terras que a Constituição de 1988 reconhece como tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas. O limite de cada terra passa por fases legais, do estudo à delimitação, à declaração e à homologação por decreto presidencial, e a camada pública da FUNAI registra essa fase. Um limite oficial, estável e enumerável é o que permite comparar terras no país inteiro e rodar todas de uma vez, em lote. Biondo et al., Registry, coordinate, cadastre (manuscrito em preparação, 2026).
O anel é exclusivo: começa na divisa e deixa a própria área de fora, para que nenhum hectare entre nas duas contas. Mesmo assim, ele é uma região de comparação, não um contrafactual. O desmatamento empurrado de dentro para fora (o chamado vazamento) aumenta o contraste, e áreas protegidas costumam ser criadas em terras que já eram menos ameaçadas (Ewers & Rodrigues, 2008; Joppa & Pfaff, 2009). Por isso a tela compara, mas não credita à divisa a diferença. Biondo et al., Registry, coordinate, cadastre (manuscrito em preparação, 2026).
A área vem de pixelArea(), a área de verdade de cada pixel, e não do número de pixels vezes 0,09 ha. O pixel do MapBiomas é medido em graus, e sua área encolhe à medida que se afasta do Equador. A convenção nasceu no Naturametrics e chegou ao Yvynation em agosto de 2026, um dos módulos que circulam entre as três ferramentas da suíte. Biondo et al., Registry, coordinate, cadastre (manuscrito em preparação, 2026).
MapBiomas e Hansen precisam ficar separados porque medem coisas diferentes. Uma exportação de abril de 2026 atribuía 305.250 ha de perda Hansen a 2024 na Terra Indígena Kayapó, cerca de dois terços de toda a perda de 2001–2023 num único ano. Era a cicatriz de um incêndio, não desmatamento: a perda do Hansen registra a queda da copa por qualquer causa (Curtis et al., 2018). Biondo et al., Registry, coordinate, cadastre (manuscrito em preparação, 2026).
Os dados saem com licença aberta, e é aí que mora um problema que o artigo registra como lacuna. Estatísticas sobre terras indígenas com nome podem ser citadas em contextos que as comunidades não escolheram: o fogo mais reativo dentro das áreas protegidas do que em volta, por exemplo, pode ser lido como efeito da vegetação nativa conservada ou como má gestão. Os princípios CARE de governança de dados indígenas (Carroll et al., 2020) pedem mais do que uma licença aberta, e a suíte ainda não consulta organizações indígenas sobre como apresentar esses resultados. Biondo et al., Registry, coordinate, cadastre (manuscrito em preparação, 2026).